PORQUE APENAS LOJAS DE SÃO JOÃO
Quando os trabalhos são declarados abertos, há
referência a São João, dito nosso padroeiro. Porém, qual o São
João? São muitos, na Igreja Católico-Cristã, os santos com o
nome de São João "disso e daquilo, etc." Os regulamentos
maçônicos recomendam se festejar a dois, a São João, "o
Batista", e a São João, "o Evangelista".
O BATISTA
São João
Batista, também dito "o Precursor", era filho de Isabel,
prima da Virgem Maria e, por conseguinte, também parente de Jesus.
Ele ganhou o epíteto de "batista" porque, no rio Jordão,
"batizava" as pessoas, derramando -lhes água sobre as
cabeças, assim limpando-os espiritualmente (batismo significa banho
). Era também conhecido por viver no deserto, alimentando-se de mel e
gafanhotos, vestindo apenas com uma pele de carneiro, andando assim
meio nu, meio vestido. Seguramente, pertencia, entre os judeus, ao
grupo dos essênios, que vivia em Quram, perto do mar Morto. Local
onde, em 1947, foram encontrados alguns documentos de sua época.
Tinha vários seguidores, mas se dizia Precursor de Alguém Maior que
ele, e de quem não era digno sequer de Lhe desatar as sandálias.
Vituperava a Herodes Antipas ¾o rei
imposto pelos romanos aos judeus ¾ ,
porque Antipas mandara matar a seu meio-irmão para ficar com a sua
esposa. Antipas mandou decapitar a João Batista, atendendo o pedido
de Salomé, sua enteada, filha de seu meio-irmão, acima referido.
O dia 24 de
junho foi estipulado pela Igreja Católica como o de sua
comemoração.
O EVANGELISTA
O outro São
João, o Evangelista, era apóstolo de Jesus. Chamam-no de Evangelista
porque, além de pregar os ensinamentos do Mestre, foi o autor do 4o.
Evangelho, de três epístolas e do famoso Apocalipse. Essa palavra
quer dizer "revelação". Nele, João relata as revelações
que teria tido sobre o fim dos tempos e dos caminhos para a
salvação. Por falar nos fins dos tempos, catástrofes, guerras,
pestes, castigos, a palavra "apocalipse" ganhou a
conotação de "algo ruim, apavorante, cataclismático,
terrificante". A linguagem é extremamente simbólica, de
difícil compreensão.
É comemorado
a 27 de dezembro.
MAÇONARIA OPERATIVA
Na verdade,
porém, como vem registrado no item XXII, dos Regulamentos Gerais das
Constituições de Anderson, de 1723, e com elas publicados, o dia que
os maçons operativos do passado tinham escolhido para a reunião
anual era o de São João Batista, em 24 de junho, ou, opcionalmente,
no dia de São João Evangelista, em 27 de dezembro. Mas, com ênfase
ao primeiro. Aliás, notar que a fundação da Grande Loja de Londres,
em 1717, ocorreu precisamente nesse dia, 24 de junho. Veja-se como vem
redigido esse cãnone dos Regulamentos Gerais, aprovados, pela segunda
vez, no dia de São João, 24 de junho de 1721, por ocasião da
eleição do Príncipe João, duque de Montagu, para Grão-Mestre:
"XXII. Os Irmãos de
todas as Lojas de Londres e Westminster e das imediações se
reunirão em uma COMUNICAÇÃO ANUAL e Festa, em algum Lugar
apropriado, no Dia de São João Batista, ou então no Dia de São
João Evangelista, como a Grande Loja pensa fixar por um novo
Regulamento, pois essa reunião ocorreu nos Anos passados no Dia de
São João Batista: Provido(...)"
RAZÕES ESOTÉRICAS
Só por uma segunda
opção a reunião e festa ocorreria,portanto, no dia 27 de dezembro,
na festa do outro São João. Mas, por quê? O porque dessa
alternativa tem uma explicação esotérica, que remonta às
prováveis origens da Maçonaria, aos Colegiatti Fabrorum dos
romanos. A esses colégios de artesãos, de diferentes ofícios,
pertenciam também os da construção. Eles acompanhavam as tropas
romanas, para o trabalho de reconstrução e instalação da
administração imperial, nas terras conquistadas e colonizadas. E com
eles ia a sua religião ou religiões, para ser mais exato, ainda que
entre os romanos a predominante fosse a da adoração à Mitra, que
era representado por uma figura humana. No lugar da cabeça, um Sol.
Havia muitos outros deuses, notadamente, o de Jano, uma
figura de duas cabeças coladas e opostas, cada uma
olhando em sentido contrário a da outra, e que simbolizavam: uma, o
solstício da entrada do verão (24 de junho, hemisfério norte); a
outra, o solstício da entrada do inverno (27 de dezembro, hemisfério
norte). Esses solstícios estão sempre presentes, nas festas pagãs,
porque vinculadas à Natureza. É aí que encontramos uma provável
explicação histórica para os festejos juninos e os natalinos, a que
a nova religião romano-cristã, não podendo desenraizar dos costumes
populares, o mínimo que conseguiu foi a substituição. Todavia, no
seio da maçonaria operativa, mesmo sob tal disfarce, ambas as datas
sobreviveram, em face do conteúdo esotérico de seus significados.
Não esquecer que os colégios, principalmente, os dos construtores,
seriam depositários dos conhecimentos e mistérios de antiguíssimas
sociedades iniciáticas, todas praticantes de ritos solares.
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