ARTIGOS DE INTERESSE MAÇÔNICO
E À CULTURA EM GERAL


  Título do Artigo - Impressões de um Aprendiz Maçom sobre o ato de sua Iniciação  

 

Autor :  Antonio Artêncio Filho E-mail: aartenciofilho@aol.com.br  
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Sou Antonio Artêncio Filho (ARLS Monteiro Lobato 230 GLEPS), 
meu e-mail é aartenciofilho@aol.com.br  ou   aartencio@ig.com.br
Envio-lhes uma singela colaboração. Grato pela atenção, um TFA a todos!

A . ' . G . ' . D . ' . G . ' . A . ' . D . ' . U . ' . 


          Impressões de um Aprendiz Maçom sobre o ato de sua iniciação

                        Estive em uma 'festa branca' com 8 ou 9 anos de
idade. Naquela confraternização, olhava os homens que me serviam com aventais
e, curioso, perguntava ao meu pai o que era e representava aquilo. Os anos se
passaram, e esqueci a Maçonaria, até que, na faculdade, comecei a perceber
que, sempre havia um Maçom por perto. Terminado o curso, passei a me
relacionar com Advogados mais velhos, pertencentes à Maçonaria.

                        Fui convidado em duas oportunidades, sendo um dos
convites de forma imperativa; perguntado ao então Companheiro se poderia eu
fazer parte, este me respondeu: é só casar-se, que o seu ingresso está
proposto. O segundo convite que me fizeram, quase na mesma época, me pareceu
antes uma sondagem do que propriamente convite. Nessa época dos convites,
ainda residia em Marília e, como acabara de faculdade havia muito pouco
tempo, fui morar em São Paulo em 1.991, onde fiquei até 1.999, quando,
casado, me mudei para Taubaté.

                        Somente depois que aqui cheguei, me senti à vontade
para procurar por essa intenção. Acho, honestamente, que a minha iniciação
teve início há muito tempo atrás, na época em que estive com minha família na
festa branca, da qual falei no início.

                        Cheguei à porta do Templo, onde fui vendado e levado
à uma sala, depois de várias voltas pelo salão (Sala dos Passos Perdidos);
sentei-me, instado a tanto pelo meu guia, que, ainda me solicitou tirar meu
sapato e, também, desabotoar minha camisa, abrindo-a totalmente no lado
esquerdo, deixando o peito esquerdo à mostra (coração). Meu guia então,
levou-me para uma salinha, totalmente fechada (Câmara das Reflexões) e negra,
fez com que me sentasse em uma cadeira; lá, advertiu-me de que não me era
permitido olhar para trás ('conseqüências funestas'), vi:

- uma vela acesa (simbolizando uma iluminação passageira);
- uma ampulheta (simbolizando o tempo que não pode ser desperdiçado);
- sal (recepção do iniciando com satisfação);
- água (para lavar as impurezas, representando ainda a purificação);
- pedaço de pão (simbolizando o cárcere);
- um questionário, com perguntas a serem respondidas;
- o testamento próprio.

                        Durante esse tempo em que estive na Câmara das
Reflexões, senti-me, verdadeiramente, preso, pois que o local é totalmente
negro, privado da liberdade, encontrando-me ali, obedecendo ordens.

A . ' . G . ' . D . ' . G . ' . A . ' . D . ' . U . ' .

                        Existem algumas advertências naquele local, mas que,
infelizmente, não me ocorrem sem o auxílio de livros, os quais não os quero,
por ora, consultar, pois que escrevo essas impressões, desprovido de qualquer
ajuda consultiva. Me lembro, de forma impressionante, da caveira! Para mim,
representa tal coisa, a morte que, depois de passada a cerimônia, entendo que
estava, naquele ato, morrendo para o mundo profano e, nascendo para a
Maçonaria. VITRIOL: desta palavra não me esqueci; causou-me uma enorme
impressão, amplamente colaborado pelo ambiente.

                        Novamente vendado, passei a me perguntar  (após a
reflexão devida, a qual, é bom que se diga, até a consumação final do ato,
não deixei de refletir em todos os acontecimentos de minha vida), quando iria
'nascer'.

                         Levado sempre pelo guia, fui conduzido algumas vezes
ao que achava o próprio Templo. Julgava o Templo circular, na oportunidade.
Nas viagens, fui conduzido de modo eficiente, decidida e suavemente, por meu
guia, sentido-me, assim, amparado totalmente, Qual um bebê nos braços de uma
pessoa mais velha, que lhe têm amor. Mas também tive a nítida impressão, ao
mesmo tempo, da firmeza, perseverança e também da privação de minha liberdade
em sentido mais amplo.

                        Senti alguma coisa quente, esquentando o peito; o aço
da espada contra o meu peito; senti o gosto amargo doce de uma bebida (que me
foi ofertada e a tomei); fiz as viagens simbólicas, ternamente amparado pelo
meu guia. Voz, em tom imperativo e decidido, perguntado-me coisas que, muitas
das quais, não sabia ao certo as respostas; instaram-me a doar dinheiro (não
o pude fazer por não dispor, absolutamente, já que despojado de todos os
metais e moeda corrente), ocasião em que me senti não humilhado, mas,
impotente. Mas, durante toda a cerimônia de iniciação, usando da faculdade
que me fora concedida, vieram-me algumas palavras em minha mente, as quais
julgo oportunas.           

                        A primeira: perseverança, pois que, para chegar ao
meu objetivo final, deveria perseverar na continuidade do ato. Coragem, para,
além de passar pelas provas exigidas, conhecedor de alguns defeitos próprios,
assumi-los e, mais do que tudo, expô-los, a tempo certo, aos demais irmãos
que ali estavam assistindo à cerimônia. Humildade para, no mundo profano com
38 anos de idade, resignar-me para alcançar, a luz necessária a desbastar a
P.'.B.'. e deixá-la P.'.P.'. .

                        Então, diversas vezes após ter sido conduzido ao
interior do Templo e de lá saído, com diz a Bíblia, fez-se a luz. Depois de
todo o tempo vendado, a luz tornou-se muito forte para os olhos, exigindo que
as pupilas de adaptassem a pouco e pouco.


A . ' . G . ' . D . ' . G . ' . A . ' . D . ' . U . ' .

                        Vejo, ao depois, várias pessoas, todas portando
aventais, uns brancos, outros azuis com três pontos, outros com a letra "T"
invertida e mais alguns paramentos, totalmente estranhos. O Templo, local
bonito, com ambiente e energia positiva. O semblante das pessoas que ali
estavam, era de uma seriedade extrema, talvez até assustadora.

                        Recebo do V.'. M.'., após algumas explicações, abraço
fraternal, acompanhado da entrega de dois pares de luvas brancas e de um
avental, imediatamente colocado. Esse pedaço de papel é muito pouco para,
depois de ler algumas obras sobre o simbolismo do ato, externar toda a união
fraterna sentida naquela cerimônia e, continuadamente, nas sessões
subseqüentes. Mas, ainda cabem alguns sentimentos que me ocorreram durante a
cerimônia. Pensava: porque, qual a finalidade? A finalidade, hoje o sei mais
do que na ocasião, sempre será a do aprimoramento espiritual, a do
depuramento. Sim, porque, o candidato que queira ingressar na Maçonaria,
certamente terá que ter em sua mente que, em primeiro lugar, deverá
vencer-se, ou seja, apurar-se espiritualmente, para ao depois, poder, de
alguma forma, travar o bom combate.

                        Mas, até nisso o candidato pode se sentir um sortudo,
pois que, terminada a cerimônia de iniciação, saberá que nunca estará sozinho
em sua caminhada para a perfeição, contará com inúmeros irmãos que sempre
estarão prontos a lhe ajudar. E é nesse ponto que a outra pergunta tem seu
lugar: como? Isso, confesso, ainda não o sei, já que, até agora, somente
consegui apenas levantar a ponta do lençol, somente visualizei a ponta do
iceberg. O que está por baixo, ainda não tenho, devido à minha pouca idade,
condições de saber. Mas, passo a passo, chegarei lá. Nasci! E ganhei não
somente pai e mãe (atrevendo-me a simbolicamente representá-los, o pai seria
o G.'.A.'.D.'.U.'., e a mãe, senão a GLESP, certamente é a A.R.L.S. Monteiro
Lobato 230), mas, principalmente, irmãos de fé verdadeira e fraternal, já que
me ajudarem a realizar um de meus objetivos como profano: tornar-me um Maçom!

Do irmão Antonio Artêncio Filho - A.R.L.S. Monteiro Lobato 230