Carta de Curitiba
Enviada por: Anatoli Oliynik dyn
Coordenador Geral do V Congresso

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                                                     CARTA DE CURITIBA

Nós, Maçons jurisdicionados ao GRANDE ORIENTE DO BRASIL - PARANÁ, reunidos em Curitiba, nos dias 27 a 29 de setembro de 2002, por ocasião do V Congresso, tendo em vista os Novos Rumos traçados para a Maçonaria paranaense e brasileira, levamos ao povo maçônico e à sociedade em geral, nossas preocupações com a  realidade nacional, para a qual esperamos que os futuros governantes atribuam a prioridade que a sociedade exige, revertendo o preocupante quadro atual.

            Na Educação, sentindo o abandono da escola pública, aliado a um simultâneo e descontrolado aumento do ensino privado, nem sempre com a qualidade prometida e sem critérios respeitáveis, alertamos para os riscos decorrentes de tão desastrosa política. O desprestígio do professor e o desrespeito com sua importante e indispensável função na sociedade, ao mesmo tempo em que se promove um sucateamento das estruturas físicas, do ensino fundamental à universidade, devem ser entendidos como sinais claros de um desastre iminente que comprometerá, de maneira irreversível, o futuro da sociedade brasileira.

Urge que sejam destinados recursos e não promessas, pois somente pela qualificação educacional o país poderá se inserir, ou mesmo questionar, de forma eficiente e competitiva, esse mundo globalizado e excludente.

            Em relação à Saúde, os índices de mortalidade infantil, aliados a um número crescente de internamentos hospitalares, mostram que é necessário cuidar mais da saúde que da doença. A atual política não tem dado respostas efetivas às demandas da sociedade, gerando situações onde médicos são forçados a decidir quem deve viver ou morrer, diante da falta de leitos e de recursos adequados para o atendimento de um dos direitos fundamentais do cidadão. Até quando assistiremos impassíveis a esse descalabro?

Da mesma forma que em relação à educação, a sociedade exige a efetiva aplicação dos recursos destinados à saúde, alocados no orçamento da União e custeados pela cobrança da CPMF.

            Quanto a Segurança, exige-se o enfrentamento às causas da criminalidade a partir um amplo debate, com a atuante participação da sociedade, de forma a desenvolver, prioritariamente uma ação efetiva e drástica no combate ao crime organizado, em especial a aquele ligado ao narcotráfico, por tudo que representa no sentido de comprometimento das gerações atuais e futuras.

O modelo econômico vigente, ao mesmo tempo em que propicia um maior e mais saudável intercâmbio de mercadorias e bens, revela sua face excludente, onde às economias menos desenvolvidas e/ou integradas é reservado um papel subalterno e de mera condição de subsistência. Tal fato vem determinando, de maneira acelerada, a concentração da renda, a expulsão de enormes contingentes populacionais do campo para as cidades, onde irão engrossar os bolsões de miséria, potencializando a violência e a insegurança urbanas.

Urge, pois, que os governantes, ainda que constrangidos por acordos e compromissos firmados junto às instituições internacionais, revejam a política macroeconômica em vigor, tomando as providências imprescindíveis para a reestruturação da economia nacional, em especial às atividades geradoras de oportunidades e empregos.

Nesse sentido, recomenda-se às Lojas e ao povo maçônico que, cumprindo seu papel, interajam diretamente com as comunidades em que estejam inseridas, para que essas linhas de ação sejam implementadas, eficaz e efetivamente, comprometendo-se com os resultados e o cumprimento das esperanças da nacionalidade.

Curitiba, 29 de setembro de 2002 

Anatoli Oliynik dyn  
Coordenador Geral do V Congresso

Cliceu Luis Bassetti 
Grão-Mestre