SIGNIFICADO DA POSIÇÃO DO ESQUADRO E DO COMPASSO
NO RITO MODERNO

Dependendo do grau em que a Loja esteja trabalhando, varia a posição do esquadro e do compasso sobre o Livro
da Lei: no grau de Aprendiz Maçom, o esquadro é colocado sobre o compasso, com seus ramos ocultando as hastes deste; no de Companheiro, eles os instrumentos estão entrecruzados, com
um dos ramos do esquadro ocultando uma haste do compasso, enquanto a outra haste deste cobre o outro ramo daquele; no de Mestre, o compasso é colocado sobre o esquadro, com suas hastes
ocultando os ramos deste.
Nos ritos místicos, esotericamente, o compasso representa o espírito e o esquadro simboliza a matéria.
Assim, no Aprendiz, ainda imperfeito, a materialidade suplanta a espiritualidade; no Companheiro, há um equilíbrio entre a espiritualidade e a materialidade; e, finalmente, no Mestre,
há o triunfo do espírito sobre a matéria.
No racional Rito Moderno, todavia, a interpretação é outra: no grau de Aprendiz, as hastes do compasso, presas sob o esquadro, representam a mente, ainda subjugada pelos preconceitos
e pelas convenções sociais, sem a necessária liberdade para pesquisar e procurar a Verdade; no grau de Companheiro, onde é libertada uma das hastes, há a demonstração de que o
maçom já tem uma certa liberdade de raciocínio e está no caminho da Verdade; no grau de Mestre, as hastes do compasso --- que é o símbolo do conhecimento --- livres, mostram
que o Mestre é aquele que tem a mente totalmente livre, para se dedicar ao trabalho de construção do edifício moral e intelectual da humanidade.
Para os ritos teístas, a verdade, simbolizada pelas hastes livres do compasso, é a Verdade Divina, o atributo da mais alta espiritualidade, só reconhecido na divindade, enquanto a
verdade simbolizada pelas hastes presas do compasso é a Verdade humana, demonstrada como imperfeita, rústica, instável e subjugada pelos preconceitos. Para o Rito Moderno, a verdade
contida nas hastes do compasso é a Verdade sempre renovada da evolução científica, do raciocínio livre e do espírito crítico, que dá, ao Homem, a liberdade de escolher os seus
padrões morais e espirituais, sem o paternalismo que lhe mostre uma verdade estática e imutável, transformada em transcendental e, por isso mesmo, enigmática e inacessível .
Afinal, o que é a Verdade? Ninguém, até hoje, respondeu a essa pergunta. Se a verdade do homem é, ainda, uma incógnita, como se pode estabelecer o teor da verdade divina, se Deus,
segundo todas as teologias, é o Infinito Incognoscível ?
Mostra ainda, o Rito Moderno, que ele não elimina o conceito de divindade, mas também não o impõe.
Ele apenas respeita a liberdade de consciência do Homem e o seu raciocínio crítico, rejeitando os paradigmas impostos por homens falíveis, que, em nome de suas crenças místicas,
pretendem se arvorar em arautos e intérpretes da Vontade e da Verdade de Deus.
Do
livro "O Rito Moderno: a Liberdade Revelada"
Editora A Trolha - 1a. edição: 1991 - 2a. edição: 1997
Sinopse da obra:
Feito no sistema de perguntas mais comuns a respeito do rito e de respostas com base na doutrina modernista , a obra abrange quatro grandes capítulos:
História da Maçonaria e do Rito Moderno
Filosofia e Doutrina do Rito
Simbologia , e
Decoração do Templo Liturgia e Ritualística
E-mail - José Castellani