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Jurídico
11/8/2005 - "A sociedade precisa se indignar mais e cobrar mais do Poder Judiciário"
diz ministro Vidigal

Fonte: Superior Tribunal de Justiça


O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Edson Vidigal, defendeu, nesta quarta-feira, 10, que a sociedade brasileira se indigne e cobre mais do Poder Judiciário para conseguir os avanços necessários. Como contrapartida, segundo assinalou, "o povo tem que confiar mais na Justiça". O ministro Vidigal compareceu à posse do novo secretário para a Reforma do Poder Judiciário, Pierpaolo Cruz Battini, ocorrida no Ministério da Justiça

"Nós estamos provando que, no STJ, sem nenhuma nova lei, muito da morosidade está sendo combatida, está sendo enfrentada. Nós estamos vencendo isso tudo com medidas administrativas. E esse é o papel da Secretaria da Reforma do Poder Judiciário, ou seja, contribuir por meio de sugestões ou estudos ou medidas que possam servir para o combate à morosidade a partir de ações administrativas", afirmou o presidente.

Para o ministro Vidigal, a secretaria criada pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, não teve suas funções reduzidas ou diminuídas em função da promulgação da Emenda Constitucional nº 45, que tratou de reformar o Poder Judiciário em alguns pontos. "Falta a reforma do Judiciário não acabar porque senão o Judiciário é quem vai acabar com a reforma", afirmou o ministro para, em seguida, constatar que, mesmo sendo uma frase de efeito, ainda existem alguns bolsões de resistência às modificações mais profundas.

"Por isso o que falta é a sociedade se indignar mais para cobrar mais do Poder Judiciário. A Justiça tem que se aproximar mais do povo. E o povo tem que confiar também um pouco mais na Justiça", assinalou.

O ministro também foi indagado por um repórter sobre em quais condições o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia convocar o Conselho da República neste momento de crise institucional. Criado pela Constituição de 1988, esse Conselho tem a finalidade de auxiliar o presidente da República quando necessário. O artigo 90 da Constituição diz que sua competência é para se pronunciar sobre: "I – intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio; II – as questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas."

"Está na hora de todo mundo se aconselhar uns com os outros e o Conselho da República, penso eu, foi imaginado pela Constituinte para desempenhar esse papel. Para que, em determinadas travessias difíceis, as pessoas pudessem se sentar e rever conselhos", afirmou.

O ministro Vidigal explicou que, ao lançar mão desse dispositivo, o presidente Lula não está saindo enfraquecido. Segundo o presidente do STJ, o próprio governo possui outros conselhos, como o de Desenvolvimento Social, por isso "é importante que o Conselho da República neste momento reúna e examine isso tudo até como forma de permitir que as ações do Poder Executivo deslanchem. Que a administração não pare. Que o país continue andando. Isso tudo aí é inerente da democracia. Nós não podemos ficar paralisados. Então, parafraseando o filosofo Raul Seixas, ‘não podemos ficar com a boca escancarada e cheia de dentes esperando a morte chegar’".

Reforma do Poder Judiciário

Na companhia do ministro Thomaz Bastos e do subchefe da Casa Civil para Assuntos do Judiciário, Sérgio Renault, o presidente do STJ chegou ao salão nobre do Ministério da Justiça para a cerimônia de transmissão de cargo e posse de Pierpaolo Battini. Auxiliar do ministro da Justiça, Pierpaolo irá substituir Renault na missão de implementar os projetos de interesse do Poder Judiciário.

A cerimônia foi bastante concorrida. Dela participaram o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, o secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, e o coordenador da ONU no Brasil, Carlos Lopes.
 

 
   
 

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