ARTIGOS DE INTERESSE MAÇÔNICO
RELATIVOS A POLÍTICA NACIONAL E INTERNACIONAL
INFORMAÇÕES JURÍDICAS

 
 

PT, MST, FARC E NARCOTRAFICANTES (Reportagens publicadas do "Estado de Minas"

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GUERRILHEIROS DAS FARC TREINAM MILITANTES DO MST

(Maria Clara Prates, enviada especial/Estado de Minas, 30/10/2005)


Pindoty Porã e Salto de Guayrá (Paraguai) - A presença do grupo guerrilheiro colombiano Forças Armadas Revolucionárias (Farc) no Brasil não se restringe hoje apenas à montagem de bases estratégicas para o tráfico de drogas e armas. As ações das Farc incluem o treinamento de criminosos e líderes de movimentos sociais, entre eles o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que tem ligações com o Partido dos Trabalhadores. Os centros estão montados estrategicamente na fronteira entre Brasil e Paraguai. Relatórios sigilosos de posse de autoridades brasileiras e paraguaias registram a ocorrência de pelo menos três cursos sobre técnicas de guerrilha destinados a brasileiros, realizados este ano – maio, julho e agosto – na região de Pindoty Porã, departamento de Canindeyú, no Paraguai, cidade na fronteira com o Mato Grosso do Sul e o Paraná. Pelo menos um desses cursos, sobre técnicas de primeiro socorros e contra-informação, que aconteceu entre 22 e 24 de julho último, teve como público alvo integrantes do MST dos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná.

Sob a batuta dos mesmos instrutores colombianos, o último treinamento, que aconteceu em 29 de agosto, foi destinado a integrantes de quadrilhas, responsáveis pela segurança de pontos de distribuição de drogas em São Paulo e Rio de Janeiro, no qual foram repassadas aos alunos brasileiros, ações para guerrilha urbana. A escolha da região de Pindoty Porã, não foi aleatória. O local vem sendo usado, há pelo menos dois anos, como ponto estratégico para o tráfico de maconha, cocaína e armas, que prospera com a conivência de autoridades paraguaias e também sobre a fragilidade da legislação do país vizinho.

De acordo com levantamentos dos serviços de inteligência, os treinamentos são realizados em uma fazenda, aparentemente destinada à criação de gado, a qual só se tem acesso por terra, através de precárias estradas vicinais com inúmeras possibilidades de acesso, somente para aqueles que conhecem a região. Uma grande reserva de mata de cerrado protegida pelo Banco Mundial torna ainda mais difícil o acesso e o patrulhamento eficiente da região. No local, está instalado um posto do Exército paraguaio, mas tem aparência do mais absoluto abandono, apesar das negativas dos moradores. Pistas de pouso clandestinas também cortam toda a área. No período de capacitação dos supostos trabalhadores sem-terra, o tempo ruim, com chuvas e baixíssimas temperaturas, comprometeu os exercícios externos e todo o curso aconteceu nas salas de aula.

Os relatórios trocados entre os dois países não só confirmam a existência dos centros de treinamento na região fronteiriça do Brasil com o Paraguai. Vão mais longe: garantem que existe um grande interesse das Farc em instrumentalizar os brasileiros, que nos últimos anos têm sido parceiros da guerrilha nas atividades ilícitas como o tráfico de drogas e de armas. Eles confirmam também que os cursos ministrados pelas Farc são destinados a entidades civis organizadas e citam nominalmente o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. De acordo com o documento, existem fartas informações sobre os instrutores dos treinamentos, que se escondem sob o manto dos codinomes.

Um dos colombianos é descrito como um homem que tem pleno domínio da língua portuguesa, mas não consegue esconder o seu forte sotaque. É especialista em guerrilha rural e ideologia política, além de ser preferência para manejar explosivos e pistola 9mm e ser um expert em artes marciais. Segundo os relatos, ele é uma pessoa muito conhecida na fronteira e transita com desenvoltura por toda a região. Os serviços de inteligência do Brasil e do Paraguai agora abraçam o desafio de conseguir sua verdadeira identidade e, a partir disso, chegar ao restante do grupo. Na verdade, pode haver mudança de professores conforme a técnica a ser repassada e o público a ser capacitado.

Resposta do MST

A coordenação geral do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra informou, através de sua assessoria de imprensa, em São Paulo, que não tem conhecimento da participação de seus filiados em treinamentos promovidos pelas Farc no Paraguai. Diz que não é a primeira vez que o movimento é alvo de acusações infundadas. Ressalta ainda que o MST mantém relações de intercâmbio apenas com organizações camponesas na América Latina.

Codinomes dos participantes do MST (Nome de Guerra /Codinome )

João José /Saracuna, Franz /Marimbondo, Severo /Corticeira, Pereira /Neguinho, Nunes /Bem-te-vi Alfeu /Furão,
Sebastião /Pescador, Brasil /Viajante

___________________________________________________________________________________ FARC CONTA COM O APOIO DE GRANDES TRAFICANTES, BRASILEIROS E PARAGUAIOS

(Maria Clara Prates/Estado de Minas, 30/10/2005.)

Os primeiros levantamentos do Serviço de Inteligência Externa da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai revelam que um dos locais utilizados como centro de treinamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), no Paraguai, é a fazenda do brasileiro Dioclésio Festa, acusado de controlar o tráfico de cocaína no Sul do Brasil, utilizando a rota de Salto de Guayrá, no Paraguai. Sua propriedade está localizada no município de Itanarã, num local de difícil acesso, mas é equipada com pista de pouso para facilitar as ações. Festa tem ligações com outro grande traficante brasileiro que se instalou no Paraguai, Luiz Carlos Rocha. Rocha, hoje, conseguiu prosperidade e se apresenta às autoridades paraguaias como um próspero criador de gado, dono de várias propriedades, carros importados e até mesmo um avião.

As apurações, em conjunto com a polícia brasileira, constataram que para prosperar na região e garantir a impunidade, os integrantes das Farc contam com outros aliados importantes que se escondem atrás de fachadas, como o de bem-sucedidos homens de negócio e agropecuaristas. Na cidade de Salto de Guayrá, capital do departamento de Canindeyú, a apenas uma hora de vôo de Pindoty onz, o comerciante paraguaio Nicolas Tutunys é investigado por ser um dos parceiros da guerrilha. Proprietário das empresas Tower's, que incluem posto de gasolina, lojas de importados, hotéis, concessionárias de veículos e fazendas, ele praticamente controla toda a cidade. Suas lojas estão instaladas estrategicamente na Avenida Paraguai, a principal via de Salto de Gayrá, cidade que hoje funciona como uma opção à Ciudad del Leste, para a compra de eletro-eletrônicos e todo o tipo de mercadoria contrabandeada.

A prosperidade do comerciante pode ser vista logo na entrada da cidade, onde está instalado um amplo shopping, que também faz parte das empresas de seu grupo. Sua prosperidade financeira o transformou, segundo investigações, num dos principais financiadores das atividades das Farc na região, algumas vezes cedendo os aposentos de seus hotéis para hospedar os integrantes da guerrilha. Mas se seus negócios têm fachada legal, visível nas calçadas onde desfilam policiais paraguaios com pesados armamentos, eles ajudam a esconder atividades ilícitas como o contrabando de armas, cigarros e produtos eletrônicos e a fazer a lavagem do dinheiro, de acordo com apurações de autoridades paraguaias. Cartazes das empresas de Tutunys estão espalhados por toda a estrada de acesso à cidade e a localização estratégica das lojas torna impossível a chegada de forasteiros sem que seja percebida pelo comerciante.

Para quem não é da cidade, entrar na suntuosa loja de importados da rede Tower's é uma aventura que exige coragem. Olhos atentos seguem os consumidores nas diversas sessões da loja, que oferece de eletrônicos a bebidas. Na porta, o servidor de segurança pública torna sua presença mais ostensiva, quando se sai sem comprar nada. Mas a conversa entre o proprietário e amigos no interior da loja é descontraída, mas pode ser interrompida a qualquer movimento que lhes parecer suspeito. É impossível não sentir a tensão, e entendê-la fica impossível se não se conhece a história da prosperidade do comerciante. Além do paraguaio, o brasileiro José Leandro da Costa, filiado ao PT, proprietário da Casa Rossi, naquela cidade dedicada ao comércio de armas de fogo e munições, também é investigado por ser um fornecedor de armamento, dos mais variados calibres, para as Farc.

Amigos Influentes

Mas somente fontes de financiamento não garantem o sucesso de ousadas investidas das Farc em território paraguaio e brasileiro e, por isso, vale lançar mão de amigos influentes para garantir impunidade e facilitação nos negócios ilícitos. Apuração dos serviços de inteligência demonstra uma grande proximidade entre integrantes da guerrilha e o paraguaio Marciano Godoy, que é presidente da Associação Nacional Republicana, ligada ao Partido Colorado, no Departamento de Canindeyú. Godoy é suspeito de ser o homem que abre as portas dos órgãos públicos do Paraguai, como a Fiscalia (Ministério Público), Aduana e polícia, para viabilizar as atividades criminosas de diferentes grupos, entre eles as Farc.

Valendo-se de seu prestígio político, Godoy contribui para nomear para postos chaves seus aliados, garantindo assim a incolumidade dos seus comparsas. No Brasil, outra aliado seria o cônsul do Paraguai em onzál (PR), Mário onzáles Cardoso, investigado por envolvimento com roubo de veículos e carga, contrabando de cigarros e eletrônicos. Apesar das diversas evidências colecionadas, todos eles negam qualquer envolvimento com organizações criminosas e com a guerrilha colombiana. Reafirmam que a saúde financeira é fruto de bons negócios legais.

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FARC QUEREM CRIAR FORÇA ÚNICA NA AMÉRICA (Maria Clara Prates/Estado de Minas, 31/10/2005)

 

Documentos revelam que treinamento dado pelas Farc serve também para prática de crimes violentos


Pindoty Porã e Salto de Guayrá (Paraguai) — Ofícios confidenciais das autoridades paraguaias e brasileiras, produzidos em janeiro de 2005, revelam que os treinamentos de guerrilha oferecidos pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a brasileiros de movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) são apenas uma pequena investida para se chegar a um objetivo maior. Usando seus 40 anos de experiência de guerrilha, os rebeldes colombianos querem criar as Forças Revolucionária da América (FRA), reunindo, além dos brasileiros, representantes de organizações civis em países como Venezuela, Chile, Uruguai, Argentina e Uruguai. Mesmo antes de formalmente constituída, a FRA teria, entre outros objetivos, promover a doutrina de seus colaboradores sobre a ideologia revolucionária, fazer sua divulgação e, ainda, buscar apoio e financiamento internacional. Um sonho que já tem até uma cara: uma bem- cuidada bandeira.

Os relatos confirmam uma evidência que surgiu a partir do seqüestro e morte de Cecília Cubas, filha do ex-presidente paraguaio Raúl Cubas, levada em 21 de setembro do ano passado. Seu corpo foi encontrado num casa no subúrbio de Assunção. De acordo com a Fiscalia Nacional (Ministério Público paraguaio), o seqüestro de Cecília foi idealizado por Osmar Martinez, do Partido Pátria Livre, um movimento de extrema esquerda ligado ao movimento campesino, com ajuda de integrante das Farc. Um relatório da Agência Brasileira de Inteligência, de junho deste ano, diz que aconteceu pelo menos um encontro entre Martinez e Ricardo Gandra, das Farc, em Foz do Iguaçu (PR), com participação de outros integrantes do Patria Livre – Anúncio Martí, Juan Arrom, Victor Colmãn, também acusado de participação em outros seqüestros. Nele, teria sido acertado detalhes do crime que chocou o Paraguai.

O juiz da 3ª Vara Federal de Campo Grande (MS), Odilon Oliveira, que passou grande parte da carreira em Ponta-Porã, na fronteira do Brasil com o Paraguai, confirma a existência dos campos de treinamento das Farc na região, mas diz que os cursos de capacitação são destinados a organizações criminosas brasileiras, especializadas no tráfico de drogas e armas. O juiz, que está marcado para morrer pelos barões da cocaína, afirma que tem em seu poder uma fita apreendida com criminosos que participaram do seqüestro de Cecília Cubas, na qual se pode ouvir nitidamente a voz de um brasileiro. "As imagens mostram um campo de treinamento da guerrilha, onde estão pessoas se preparando para a ação e, apesar de não ser possível visualizar o brasileiro, sua voz é clara", afirma. Para Odilon Oliveira, uma das principais fontes de financiamento da guerrilha colombiana é o seqüestro, que corresponde a 45% dos valores arrecadados.

Três áreas de preocupação

As investigações da Polícia Federal brasileira na fronteira de Brasil e Paraguai demonstram que, além da região de Salto de Guayrá, no departamento de Canindeyú, onde existe indícios de centros de treinamentos das Farc nas cidades de Pindoty Porã, Itanarã e La Paloma, os departamentos de Concepción, Amambay e San Pedro, todas fronteiriças com os estados de Mato Grosso do Sul e Paraná, exigem atenção especial, por estar sendo usadas pelas grandes organizações criminosas especializadas no tráfico de drogas e armas, o que cria terreno fértil para a expansão da guerrilha colombiana em território nacional. De acordo a Polícia Federal, 80% da produção de 18 mil toneladas de maconha, produzidas no vizinho Paraguai, têm como destino os mercados consumidores do Brasil, com importante área de cultivo em Amambay e San Pedro.

Esta porta que se abre para a maconha também serve para a exportação da rentável cocaína colombiana. A adoção no Brasil da Lei do Abate – que autoriza a derrubada de aeronaves sem identificação –, aliada ao incipiente controle do tráfego aéreo no Paraguai, está fazendo com que a droga da Colômbia seja estocada em território paraguaio e, de lá, transportada via terrestre para o Brasil, de onde é exportada para mercados como a Europa e Estados Unidos. Uma rota usada pelo traficante Ivan Mesquita, que se estabeleceu no Paraguai e tinha intensa relação comercial com a Frente 16 das Farc. Preso em terras paraguaias, Ivan foi extraditado para os EUA para responder por tráfico internacional. Para a PF, o caminho é usado também por traficantes de armas, que crescem na ineficiente estrutura de fiscalização deste tipo de comércio.

Relatório demonstra que, apesar de não ser produtores de armamento ou munição, os paraguaios praticamente eliminaram a concorrência dos comerciantes brasileiros. O comércio é livre e é grande o número de produtos que chegam ao país contrabandeados. Levantamento realizado pelas autoridades locais demonstrou que o número declarado de importações de armas, que é mínimo, é incompatível com o número de usuários.

 

GOVERNO BRASILEIRO DÁ REFÚGIO A SEQÜESTRADORES ENVOLVIDOS COM GUERRILHA COLOMBIANA

(Maria C. Prates/Estado de Minas, Fernanda Odilla /Correio Braziliense, 16/11/2005)


Assunção – A insistência do governo do Paraguai em levar de volta a seu país os paraguaios Juan Francisco Arrom Suhurt, Anuncio Martí Mendez e Victor Antonio Colman Ortega revela que o benefício de refugiado concedido ao grupo pelo governo brasileiro contou com o apoio de pessoas influentes na República.

Serviu também para estremecer a relação entre os dois países, que começam a cultivar uma insatisfação mútua com a forma que tem sido tratado o passado recente do trio, integrante do Partido Pátria Livre, da extrema esquerda paraguaia.

Para o Paraguai, eles são os principais suspeitos de participar dos seqüestros de Maria Edith Bordón de Debernardi, em 2001, e de Cecília Cubas, no ano passado, esta, filha do ex-presidente Cubas, morta no cativeiro. São acusados ainda de envolvimento com integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que teriam ajudado o grupo a arquitetar os seqüestros.

Os três, considerados criminosos comuns no outro lado da Ponte da Amizade, chegaram ao território nacional em 2003 e conseguiram o status de perseguidos políticos. Convenceram autoridades do Brasil e integrantes das Nações Unidas de que, por pouco, não morreram durante sessões de tortura comandadas por policiais paraguaios, para forçá-los confessar o seqüestro da senhora Debernardi.

Um dos que mais se empenhou em ajudar o trio a conseguir a condição de refugiado e a se manter no Brasil foi o advogado Marcos César Santos Vasconcelos, funcionário de carreira da Câmara dos Deputados, atualmente lotado na Presidência da Casa. Na época em que os paraguaios bateram na porta de sua casa, na Asa Norte, em Brasília, em busca de ajuda, Marcos César trabalhava na Câmara como assessor técnico da Comissão de Constituição e Justiça, presidida pelo deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh (SP).

Conhecido por sua militância política em defesa dos perseguidos políticos, foi Greenhalgh quem entrou em contato com um dos integrantes do Comitê Nacional de Refugiados (Conare), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, para informar que o trio havia fugido do Paraguai e temia ser preso.

Antes de pedir ajuda ao governo brasileiro, Arrom, Marti e Colman procuraram primeiro o deputado petista, que esclareceu aos paraguaios que o solicitante de refúgio não é detido, mesmo tendo entrado de forma irregular no país. Pelo esforço em conseguir refúgio no Brasil para o trio suspeito de atos de terror, Greenhalgh ganhou até mesmo um emocionado agradecimento numa carta redigida por Arrom – um dos fundadores e comandantes do Pátria Livre -, quando lançou seu segundo livro Callejones del Terror, em julho de 2004. Greenhalgh, procurado pela reportagem, se recusou a falar sobre o assunto.

Versões
"Vi na minha frente três mulambos pedindo ajuda. Ouvi a história deles e procurei a versão do estado paraguaio. Depois de três dias de conversa, decidi ajudá-los porque acreditei neles", afirma Marcos César Vasconcelos, que diz ter provado ao Conare que o trio não apenas foi torturado como não cometeu crime algum.

A relação de confiança entre Vasconcelos e os paraguaios é exibida, num tom de revolta, pelo ex-fiscal geral do Ministério Público do Paraguai, Osmar Germán Latorre, hoje ministro e assessor da presidência da república na área em Segurança Pública.

Latorre garante que Arrom, Martí e Colman, não são perseguidos políticos e, sim, criminosos comuns, que introduziram no Paraguai a prática do seqüestro e roubo a bancos como forma de financiamento de suas atividades de esquerda. Um email encontrado durante uma busca na casa de Osmar Martinez – ex-presidente do Pátria Livre e apontado como importante peça nos seqüestros de Edith Dibernardi e Cecília Cubas – é apresentado como prova desta forte ligação entre as ações dos paraguaios e Vasconcelos. Na mensagem eletrônica, Arrom indica a conta bancária de Vasconcelos, no banco ABN AMRO – Banco Real, agência 1288, em Brasília, para a remessa de US$ 2 mil, para arcar com despesas dos três paraguaios no Brasil.

No e-mail, que teria sido encontrado no ano passado, Arrom afirma: "Nosotros estamos forjo cero ya solicitamos envio solicitado US$ 2 mil por eventual fin de mes y heiteramos enviar (sic) (Nós estamos a zero e já solicitamos envio solicitado de US$ 2 mil para o fim do mês e reiteramos enviar)". Além da conta, junto com o CPF de Vasconcelos, o correio eletrônico apreendido pelas autoridades paraguaias indica ainda um endereço para a remessa de documentos.

Antecedido de um texto confuso, a indicação é de uma casa no Setor de Habitação Coletiva Germinada Norte (SHCGN) 713, bloco G, onde morava o assessor jurídico da Câmara. O endereço foi usado ainda, de acordo com o próprio advogado, para registrar os paraguaios na Polícia Federal, apesar de eles nunca terem morado no local.

 

MINISTÉRIO PÚBLICO DO PARAGUAI CONTESTA REFÚGIO

 

(Maria Clara Prates/Estado de Minas, Fernanda Odilla /Correio Braziliense, 16/11/2005)


Em pelo menos dois documentos enviados ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil, em maio de 2004 e em julho último, o então fiscal geral do Ministério Público do Paraguai, Oscar Latorre, descreve detalhadamente provas reunidas no processo contra Juan Arrom, Anuncio Martí e Victor Colman, que tramita para apurar as circunstâncias dos seqüestro de Maria Edith Bordón Dibernardi, libertada depois de 64 dias de cativeiro, mediante o pagamento de US$ 1 milhão.

Neles, Latorre se queixa de que as autoridades do Paraguai, passados quase três anos desde a concessão do refúgio aos três paraguaios, sequer foram comunicadas dos fundamentos para atender ao pedido dos integrantes do Pátria Livre.

Nos ofícios, o então fiscal geral do Estado pede ainda que seja revista a concessão do benefício, já que a acusação que pesa sobre os três paraguaios é a de seqüestro, crime considerado hediondo pela própria legislação brasileira, desde a década de 90. Nos documentos, a Fiscalia Geral (Ministério Público do Paraguai) descreve a conduta de cada um dos refugiados no crime. De acordo com Latorre, ficou apurado no processo que Arrom – um dos fundadores do Partido Pátria Livre, ficou com US$ 350 mil dólares pagos pelo resgate de Maria Edith.

O envolvimento de Arrom seria atestado por uma testemunha, Marco Alvarez, que teria sido o responsável pela entrega do dinheiro a ele. Ele tirou cópia das notas, que foram comparadas com as apreendidas com o então líder do partido. Outra testemunha, Francisco Griño, fez o reconhecimento de Victor Colman também como um dos homens que participou do recebimento do dinheiro do seqüestro. Com ele, as autoridades paraguaias teriam apreendidos US$ 50 mil, referentes a este pagamento.

Os pedidos de revisão da condição de refugiado ao grupo relatam ainda que, diante do Juizado Penal de Garantias, em 21 de junho último, o acusado Melancio Mencia Esteche relatou que, no dia 16 de novembro de 2001, Anuncio Martí chegou acompanhado de outros dois homens – Gilberto Chamil Setrini e Severiano Martinez – à casa onde a vítima foi mantida em cativeiro. Todos estavam armados e, mais tarde, chegou ali também Arrom e lá estava ainda Victor Colman.

De acordo com essa segunda testemunha, todos os três tiveram ativa participação na preparação do local que receberia Maria Edith. "Neste depoimento, é possível estabelecer uma estreita vinculação de Arrom, Martí e Colman, no seqüestro", conclui Latorre. Ele garante que, depois de acompanhar todo o processo para apuração deste crime, pode afirmar não ter dúvida do envolvimento deles com os dois grandes seqüestros em seu país.

Latorre é contestado pelo advogado Marcos Vasconcelos (*), que não apenas representa como ajuda os três paraguaios refugiados no Brasil. "O processo no Paraguai é cheio de furos. Provei que eles foram torturados para confessar um crime que não cometeram. Por isso, a decisão do Conare em conceder o refúgio foi unânime", afirma o consultor jurídico da Câmara, convencido de que o governo do Paraguai tem criado motivos para forçar a extradição dos refugiados e fazê-los de bode expiatório.

 

(*) O advogado Marcos Vasconcelos é ssessor do deputado Greenhalg (adv do PT p/ abafar o "caso Sto. André").

 

 

CONTA BANCÁRIA DE PARAGUAIOS SOB SUSPEITA

(Maria Clara Prates/Estado de Minas, Fernanda Odilla /Correio Braziliense, 16/11/2005)

 

O advogado Marcos César Vasconcelos (*) afirma que nunca autorizou nenhum dos paraguaios a fornecer o número de sua conta a ninguém. Admite, contudo, que por uma vez sacou dinheiro enviado pela família de Arrom, para despesas mais urgentes. "Não me lembro se foi na minha conta do banco Real ou na do Banco do Brasil", observa Vasconcelos.

Segundo Latorre, cópia dessa mensagem já foi enviada para o governo brasileiro, através do Ministério da Justiça, que remeteu para análise ao setor de inteligência do Departamento de Polícia Federal. O pedido das autoridades paraguaias era para que fossem investigadas todas as remessas na conta que aparece no email. Vasconcelos diz que colocou suas movimentações bancárias à disposição das autoridades brasileiras.

Em outras diligências, que ocorreram também para esclarecer as circunstâncias do seqüestro de Cecília Cubas, encontrada morta numa fossa na periferia de Assunção, foram encontradas evidências de que os refugiados Arrom, Marti e Colman, que continuam à frente do Pátria Livre, se reuniram com o presidente do partido, Osmar Martinez, em Foz do Iguaçu (PR), em agosto de 2004. O encontro teria contado ainda com a participação de Ricardo Gandra Escobar, um importante integrante das Farc, que ajudou na montagem do planejamento do crime e repassou técnicas da guerrilha.

Oscar Latorre diz que, além dos paraguaios e do colombiano, pelo menos um brasileiro participou do encontro. "Não vou falar em nomes, porque ainda estamos em fase de identificação". A presença de brasileiros, segundo Latorre, foi constada também em uma segunda reunião, desta vez, na cidade de San Pedro, departamento de Concepición, quando Cecília Cubas já estava seqüestrada e se discutia o seu destino.

O Conare confirma que Arrom pediu autorização, no segundo semestre do ano passado, para ir a Foz, dizendo que visitaria a filha recém nascida, mas diz ser pouco provável que o paraguaio tenha participado de reunião do partido.

 

(*) a Ad. Marcos César Vasconcelos, assessor do Greenhalg.

 

 

SEQÜESTRO DEU FAMA A PARTIDO PARAGUAIO(Maria C. Prates/Estado de Minas, Fernanda Odilla /Correio Braziliense, 16/11/2005)

 

Para afastar a tese de que Arrom, Martí e Colman são perseguidos políticos, Oscar Latorre afirma que o "Pátria Livre" só ganhou notoriedade a partir do seqüestro de Maria Edith. Segundo ele, até este crime, o Pátria Livre, constituído a partir de movimentos de campesinos, passava totalmente desapercebido no Paraguai, devido a sua pouca representatividade.

Latorre descarta também a hipótese de perseguição política, explicando que o movimento foi reconhecido como partido político, em 2002, depois de conseguir recolher 15 mil assinaturas de seus integrantes, sendo aprovado sem problemas pela justiça eleitoral do Paraguai, depois de um ano de iniciada a ação penal contra os três paraguaios.

"Este partido, quanto participou das eleições em maio de 2003, teve menos de 1% dos votos. Hoje, os filiados acusados, apesar de já serem processados, concorreram a cargos eletivos representando sua agremiação, sem qualquer restrição", afirma o ministro.

Latorre atesta que Arrom, Martí e Colman fugiram do Paraguai para o Brasil somente quanto foi concluída o Juízo Oral e Público, para escapar da Justiça. "Desde o primeiro momento, eles contaram com advogado e defensores designados por eles mesmos. Durante todo o processo, até o início do Juízo Oral e Público, Arrom e Martí ficaram em liberdade, beneficiados com medidas alternativa à prisão preventiva. O mesmo benefício foi estendido também a Colman", relata Latorre.

Ao mesmo tempo em que respondiam ao processo pelo seqüestro, os três moveram uma ação contra o governo paraguaio junto à Corte Internacional de Direitos Humanos. Mas, o fiscal geral omite do governo brasileiro fatos graves, como as sessões de tortura a que o grupo foi submetido. Arrom e Colman foram seqüestrados para confessarem a participação no crime. Na verdade, eles escaparam da morte , depois que familiares de Arrom, com maior poder aquisitivo e alguma projeção política, os localizaram numa casa na periferia de Assunção.

No livro "Verdades de un secuestro" (Verdades de um seqüestro), Arrom relata a violência e diz que as acusações apresentadas contra os integrantes do Pátria Livre fizeram parte de uma bem enredada trama para justificar a perseguição política. "Não só os torturaram, como armaram para imputar a eles a culpa de um seqüestro que não cometeram", argumenta Marcos Vasconcelos.

Tortura

Foi como vítimas de tortura que os três foram recebidos no Brasil. Dizem que atravessaram a pé a Ponte da Amizade, que une Ciudad Del Leste a Foz do Iguaçu (PR), sem serem molestados, segundo o próprio Arrom contou em entrevista ao jornal La Nación, em fevereiro de 2004. Aqui procuraram abrigo em Brasília. Sem ter onde morar e sem dinheiro, receberam ajuda de Vasconcelos, que lhes cedeu o endereço para registro junto à Polícia Federal e os ajudou a alugar um apartamento.

Hoje, os três paraguaios vivem sob o manto da discrição. Martí mora na Vila Operária, em Maringá (PR) e trabalha como lavrador. Arrom se fixou com a mulher e a filha, que nasceu no Brasil , na capital federal, onde faz tratamento no hospital Sarah Kubitscheck, e Colman, depois de uma temporada no Mato Grosso, está de mudança para Brasília, de acordo com Vasconcelos.

Apesar de não trabalharem, alugam um amplo apartamento, com varanda, três quartos, um deles com suíte e banheira de hidromassagem, em Águas Claras, cidade satélite de Brasília. Gira em torno de R$ 800 o aluguel Residencial Águas Claras II, construído em 1996 numa iniciativa da Cooperativa dos servidores do Banco de Brasília na gestão do então petista Cristovam Buarque.

Discretos, se fecham em silêncio e evitam falar sobre o assunto, orientados pelo advogado. Procurados pelo Estado de Minas/Correio Brasiliense, não quiseram falar nem mesmo sobre as sessões de tortura.

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PARAGUAI INVESTIGA AÇÃO DE PETISTAS EM SEQÜESTRO (Maria C. Prates/Estado de Minas, Fernanda Odilla /Correio Braziliense – 16/11/2005)

 

Integrantes do PT teriam ido a reunião em que foi decidida morte da filha de ex-presidente do país vizinho


Assunção – Dois brasileiros, que se apresentaram como parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT), são os novos alvos da Fiscalía-Geral do Estado do Paraguai, o Ministério Público paraguaio, que apura as responsabilidades pelo seqüestro e morte de Cecília Cubas, filha mais nova do ex-presidente paraguaio Raúl Cubas, seqüestrada em setembro do ano passado e assassinada no cativeiro. De acordo com Osmar Germán Latorre Cañete – ministro e assessor para a área de segurança pública do Paraguai e ex-fiscal-geral do Estado –, os brasileiros participaram de uma reunião na cidade paraguaia de Concepción, logo após o seqüestro, quando foi comunicada a decisão de executar a filha de Cubas.

Nessa reunião, segundo Latorre, estavam integrantes do Partido Pátria Livre (PPL), de extrema esquerda, apontados como autores do crime, um representante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e os brasileiros. "Vamos manter os nomes em sigilo, até que tenhamos certeza de suas identidades", afirma o ministro. Além dos nomes, o ministro Latorre faz questão de frisar que tem também a descrição das características físicas dos dois brasileiros, fornecidas por uma testemunha ao Ministério Público do Paraguai.

"Espero ter a identificação nos próximos dias", diz Latorre. De acordo com o ministro, a reunião foi presidida por Osmar Martinez, ex-secretário-geral do PPL, e teve ainda a participação de outros integrantes do partido, como Juan Francisco Arrom Suhurt, ex-secretário-geral. Arrom vive hoje no Brasil, assim como Victor Antonio Colman Ortega e Anuncio Martí Mendez, como refugiados políticos e são acusados de participar também do seqüestro de Maria
Edith Bordón de Debernardi, em 2001, libertada mediante pagamento de US$ 1 milhão.

Relações suspeitas
O apoio recebido por Arrom, Colman e Martí, no Brasil, onde chegaram em 2003, por parte do advogado Marcos César Santos de Vasconcelos, funcionário de carreira da Câmara dos Deputados, e pelo deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), conhecido militante em defesa dos direitos humanos, reforça a tese de Latorre, de que a ligação dos integrantes do PPL com os brasileiros é maior do que se conhece até o momento. Coincidência ou não, Marcos Vasconcelos foi assessor da Comissão de Constituição e Justiça, na época em que era presidida por Greenhalgh. Ele foi nomeado em dezembro de 2003, mesma época em que o pedido de refúgio foi aprovado pelo Conare, órgão do Ministério da Justiça.

Hoje, Anuncio Martí trabalha como lavrador em Maringá, no Paraná. Juan Arrom vive com a mulher e a filha num apartamento de três quartos em Águas Claras, cidade do Distrito Federal, informa o advogado Marcos Vasconcelos. Nesse mesmo apartamento está Victor Colman, que passou uma temporada no Paraná e está de mudança para a capital federal. "Ele ainda não veio de forma definitiva", diz o advogado, convencido de que o governo paraguaio força a extradição dos três para transformá-los em bodes expiatórios. "Eles foram torturados para confessar um crime que não cometeram. Agora, qualquer crime que acontecer no Paraguai vão dizer que foram eles, para forçar a perda do refúgio", afirma Vasconcelos, lembrando que foi unânime a decisão do Comitê Nacional de Refugiados (Conare) de conceder o benefício aos três paraguaios.

Testemunha-chave
Para reunir mais provas contra os refugiados paraguaios no caso do seqüestro, é grande a expectativa em torno do depoimento da testemunha Dionísio Olazar ao juiz Pedro Mayor Martínez, marcado para sexta-feira. Olazar, a testemunha-chave do Ministério Público paraguaio, afirmou anteriormente que houve várias reuniões preparatórias para o seqüestro de Cecília Cubas e a última delas ocorreu em 13 de janeiro, em Concepción, quando Martinez comunicou a decisão de executar a filha do ex-presidente.

Levada para o cativeiro em 21 de setembro de 2004, seu corpo foi encontrado em 16 de fevereiro deste ano, um mês depois de descoberto, já em estado de decomposição. De acordo com a testemunha, Martinez disse que pediria US$ 3 milhões ao ex-presidente e, deste total, Arrom teria ficado com US$ 1,3 milhão.

Em nota com data de março deste ano, o PPL classifica como "novas versões falsas" do Ministério Público do Paraguai as informações de que Arrom e Martí se encontraram com dois parlamentares brasileiros do PT, na cidade de Concepción, e também de que Victor Colman esteve nas zonas paraguaias de San Pedro e San Lorenzo. O partido informa ainda que a denúncia foi levada ao Ministério da Justiça do Brasil. "Essa campanha de desinformação grosseira do Ministério Público tem objetivo exclusivamente de endossar a perseguição política e ideológica contra o PPL e (contra) setores de esquerda e populares dentro do país que fazem frente à corrupta máfia oligárquica dominante", diz o texto, assinado pelo secretário-geral Juan Arrom e pelo secretário-adjunto José Rodriguez.

 
 
 

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