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Sent: Friday, February
13, 2009 6:22 PM
EXCELENTE ARTIGO DE PAULINHO DA VIOLA.
LEIAM E INDIQUEM
Descascando a
Bala.
Parece um detalhe minúsculo diante da grandiosidade do fato histórico
que acabamos de presenciar,
mas eu começo meu texto falando em quem? Nele, no Presidente Lula. Para
ressaltar o que acho ser o vale
profundo que separa nossos países.
Lula descasca uma bala, Obama a desembrulha. Lula joga o papel no chão e
acha isso perfeitamente natural;
insiste que no mundo todo isso nem seria notado. Obama, caso aceitasse
comer uma bala durante solenidade
oficial, poria o papel no bolso até poder jogá-lo numa lixeira. É um
detalhe? É, mas daqueles fundamentais,
como o sorriso da Mona Lisa: em toda a tela de da Vinci, quanta beleza,
quanto talento, quantos simbolismos.
Mas o que mais chama atenção? O pequeno detalhe do sorriso.
Obama foi eleito presidente dos EUA e não do mundo. Seu interesse
primeiro é seu país e o povo americano.
Problemas internos, muito sérios, não lhe vão faltar. Mas, pela primeira
vez na história daquele país, foi eleito
um homem mestiço, filho de um queniano e de uma jovem do Kansas, que
passou parte da infância entre o
Havaí e a Indonésia, teve oportunidade de conviver com crianças e jovens
de outras nacionalidades,
de conhecer outras religiões e filosofias, e que por mérito e esforço
próprios cursou boas universidades na
Costa Leste.
Isso o diferencia de todos os outros presidentes americanos.
Sobretudo o
diferencia de George W. Bush, rapaz muito rico, mas que até ser
presidente da República nunca
tinha ido além do México. E assim mesmo porque era muito perto de sua
casa, talvez até considerasse
aquele país a continuação de seu quintal.
A eleição foi uma festa, uma linda festa que congregou, e aí está sua
maior beleza, a grande maioria dos
americanos e não somente os brancos, anglo-saxões e protestantes. Os EUA
celebraram aquilo que já
deveria ter sido celebrado desde o fim da Guerra Civil, desde que
imigrantes começaram a desembarcar
de navios abarrotados de gente no porto de Nova York.
Finalmente ouviram a voz da Estátua da Liberdade e responderam aos
agourentos que achavam aquela
grande nação à beira do desaparecimento. Como disse o presidente-eleito
na noite de sua vitória:
"Foi a resposta dada pelos jovens e velhos, ricos e pobres, democratas e
republicanos, negros, brancos,
latinos, asiáticos, índios, homos, heteros, inválidos e não inválidos -
somos e sempre seremos,
os Estados Unidos da América".
Barack Obama viu
mais longe que os outros; não podemos desmerecer a luta e o sacrifício
pessoal de
Lincoln, de Martin Luther King, de Rosa Parks, dos meninos de Little
Rock. Mas Obama viu que o que uniria
o país era a força de seu "melting pot" em potencial, e não o ódio, não
a vingança, não o punho cerrado,
mas o abraço.
Pode ser que ele não consiga realizar o sonho das multidões que vibravam
e choravam na noite de
4 para 5 de novembro. Seja como for, ele abriu a porta, derrubou
barreiras, rasgou a picada, deu os
primeiros passos. Torcida não lhe vai faltar.
Enquanto isso, no Brasil, o Chefe da Nação não diz duas palavras sem
atiçar o fogo, sem jogar brancos
contra negros, pobres contra ricos, instruídos contra iletrados,
nordestinos contra sulistas, partidos
contra partidos, povo contra a Imprensa, todos contra todos. Não fala,
grita, berra. Esfalfado, ouve
os uivos da platéia, acha que está sendo adorado, e parte para outro
palanque.
Criou um Ministério da Integração Racial que é tudo que nós menos
precisamos. Seu titular teve a idéia
de criar a Delegacia do Negro!
Se um negro é assaltado, ele vai procurar a delegacia dele, não uma
delegacia qualquer.. Breve,
delegacias para japoneses, coreanos, chineses... e o nome disso é
Integração Racial.
"Espero que Obama
(...) não vá gastar um ano sem resolver imediatamente a crise.
Agora a crise pode ser debitada ao atual governo, mas um ano depois de
ele tomar posse é dele também",
disse Lula. Quer dizer, o Obama não pode apelar para a herança maldita
do Bush! E ainda: "Acho que ele é suficientemente inteligente para tomar
as medidas para evitar que a crise continue".
Pode deixar Lula, Obama é brilhante. Peça ao Amorim para ler consigo o
site que ele inaugurou logo no
dia 5, Change.gov.
Vá direto à política externa. É de chorar de emoção. Depois, leia todo o
site e aprenda como se faz
política respeitando o povo, o eleitor, o cidadão. O dado concreto,
Lula, é que Change. gov é extraordinário!
As coisas estão no mundo, só que eu preciso aprender!
Paulinho da Viola
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