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Manchetes Ter, 11 Out - 21h04

Para Alencar, voto "sim" no referendo beneficia bandido .

SÃO PAULO 11 de outubro (Reuters)

O vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, disse nesta terça-feira ser contra a proibição do comércio de armas e munição por achar que a medida beneficiará os criminosos

"O meu voto é número 1 porque sou a favor da liberdade e acho que a proibição vai encorajar o bandido. O bandido estará armado", disse Alencar durante sabatina organizada pelo jornal Folha de S.Paulo.

A posição é contrária à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que neste fim de semana publicou um artigo no qual afirma que "o suposto benefício da posse de arma está muito abaixo dos seus malefícios".

Ao ser lembrado da opção de Lula, Alencar preferiu não polemizar. "Isso é a democracia", disse, com um leve sorriso.

Uma das justificativas usadas nas propagandas da campanha pelo "não" é que o governo ao qual Alencar faz parte investe pouco em segurança pública e por isso o cidadão precisa ter a possibilidade de se armar.

(Por Marcos de Moura e Souza)

TSE aponta erro em campanha do Sim
O Globo - 11.10.05 Página: 10

Quadro da frente Por um Brasil sem Armas poderia levar eleitor a erro, argumentou ministro

Carolina Brígido

BRASÍLIA. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu ontem a frente parlamentar Por um Brasil sem Armas de veicular nos programas de rádio e televisão parte do quadro de perguntas e respostas sobre o comércio de armas e munição — que será proibido ou liberado de acordo com o resultado do referendo marcado para o dia 23. No filme, uma atriz afirma que, se a venda for proibida, quem já tem arma em casa poderá continuar adquirindo munição.

O ministro Marcelo Ribeiro afirma que a propaganda pode levar o eleitor ao erro. Explica que, de acordo com o Estatuto do Desarmamento, a munição só poderá ser vendida a pessoas com direito a porte de arma.

Aprovado em dezembro de 2003, o Estatuto do Desarmamento, em seu artigo 6, afirma que têm direito a porte de arma militares e profissionais de segurança privada e particular, entre outros. Quem já tem arma e não se enquadra nessas categorias não terá acesso a munição, caso a proibição da venda dela seja aprovada no referendo.

A decisão foi dada em caráter liminar depois de ação ajuizada pela frente Pelo Direito à Legítima Defesa, que apóia a continuidade do comércio de armas. “Quando a representada responde afirmativamente à pergunta sobre se ‘quem já possui uma arma poderá comprar munição’, sem qualquer ressalva quanto ao adquirente, induz a população a erro. Somente as pessoas e entidades indicadas no artigo 6 do Estatuto do Desarmamento poderão, caso aprovada a proibição, comprar munição”, escreveu o ministro.

E segue: “A pergunta e a resposta, como divulgadas, veiculam, segundo entendo em análise preliminar, informação sabidamente inverídica. Aqui, a meu ver, não se está diante da necessidade de complexa análise da lei. Por outro lado, a proibição da comercialização de armas de fogo e munição constitui o objeto do referendo. Destarte, qualquer informação errada a respeito deve ser evitada”.

A liminar pode ser derrubada no plenário do TSE, quando será decidido o mérito da questão. A frente pelo desarmamento recorreu da decisão.

 
 

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