Busato: roubo na PF é fundo do poço da
imoralidade pública
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Brasília, 20/09/2005 - “Parece que
estamos chegando no fundo do poço da
imoralidade”. O desabafo foi feito
hoje (20) pelo presidente nacional
da Ordem dos Advogados do Brasil,
Roberto Busato, quando indagada sua
opinião sobre o roubo de cerca de R$
2 milhões da sala-forte da
Superintendência da Polícia Federal
no Rio de Janeiro. Segundo Busato,
este episódio e a ineficiência nas
investigações sobre o assalto ao
Banco Central em Fortaleza (CE), são
desonrosos para a instituição. Para
o presidente da OAB, tudo isso
somado ao caso da cobrança de
propina pelo presidente da Câmara
dos Deputados e à falta de reação do
presidente da República diante da
crise - inclusive diante dos ataques
do ex-deputado Roberto Jefferson
chamando-o de malandro e preguiçoso
-, “espalham para toda a Nação um ar
de impunidade, um ar de degradação
dos bons costumes, da ética e da
moral no exercício da função
pública”.
A seguir, a entrevista do presidente
nacional da OAB, Roberto Busato, na
manhã de hoje:
P - Como o senhor recebeu esta
notícia do furto de cerca de R$ 2
milhões em euros e dólares dentro da
sala-forte da Polícia Federal no Rio
de Janeiro? R - Não há história de trapalhada e
de descaso tão grandes dentro da
Polícia Federal como ocorreu neste
caso do desaparecimento dos R$ 2
milhões dentro da Superintendência
do órgão no Rio de Janeiro. Além do
mais a sociedade brasileira vê com
absoluta perplexidade a falta de
qualquer tipo de atitude, de avanço,
naquele que foi considerado o
segundo maior roubo da história do
mundo, que foi o roubo ocorrido no
Banco Central em Fortaleza, no
Ceará. Esses dois acontecimentos,
absolutamente desonrosos para a
Polícia Federal, trazem uma
preocupação com relação à
instituição que sempre teve uma boa
imagem perante a sociedade
brasileira. Parece que estamos
chegando no fundo do poço da
imoralidade.
P - Diante disso, o que o senhor
considera que tem que ser feito,
qual sua visão da crise e da
credibilidade agora não só do
presidente da República, mas das
instituições públicas? Estamos mesmo
o fundo do poço? R - A própria falta de reação do
presidente da República, que foi
tachado, em depoimento ocorrido
perante o Congresso Nacional e
transmitido ao vivo para todo o
País, de malandro e preguiçoso,
realmente espalha para toda a Nação
um ar de impunidade, um ar de
degradação dos bons costumes, da
ética e da moral no exercício da
função pública. Todos os indícios
levam a esta falência ética: tanto a
falta de reação do presidente da
República quanto às tentativas de um
acordão no Congresso Nacional para
salvar cabeças dos cassáveis, somado
ao episódio do presidente da Câmara
- flagrado cobrando propina para que
empresas possam explorar espaços do
Congresso nacional - e agora a
Polícia Federal, que já estava sendo
cobrada com relação à efetividade de
suas investigações em relação a um
dos maiores roubos de dinheiro do
mundo, agora vê o roubo sendo
praticado na sua própria cara.
Portanto, é realmente um sinal de
falência moral e ética nas
instituições públicas do Brasil. É
necessário, diga-se mais uma vez,
refundar a República em outras
bases, em bases mais justas, em
bases mais éticas e em bases que
possibilitem ter no seu comando
pessoas de maior responsabilidade.
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